EXPORTAÇÃO DE CAFÉ

O Brasil exportou 2,6 milhões de sacas de café em fevereiro de 2026, volume 23,5% menor que o registrado no mesmo mês do ano anterior. A receita cambial somou US$ 1,062 bilhão, queda de 14,7% na comparação com

fevereiro de 2025, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

No acumulado dos oito primeiros meses da safra 2025/26, as exportações atingiram 26,04 milhões de sacas, retração de 22,6% ante igual período anterior. Apesar disso, a receita cresceu 5,3%, alcançando US$ 10,3 bilhões entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.

Exportações de café no ano civil

Entre janeiro e fevereiro de 2026, o Brasil embarcou 5,41 milhões de sacas, retração de 27,3% frente ao primeiro bimestre de 2025. A receita cambial recuou 13%, de US$ 2,57 bilhões para US$ 2,24 bilhões.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a redução das exportações está ligada, principalmente, à desvalorização dos preços do café arábica na Bolsa de Nova York. Ele explica que os fundos vêm liquidando posições compradas diante da expectativa de uma safra maior, movimento que pressiona as cotações.

Ferreira ressalta ainda que o dólar mais fraco frente ao real e a capitalização dos produtores têm limitado a oferta de novos negócios, reduzindo a competitividade do café brasileiro em relação a outras origens. “Essa tendência deve continuar até a chegada da nova safra, o que pode gerar perda de market share para o Brasil”, afirma.

O dirigente alerta também que tensões geopolíticas e gargalos logísticos podem agravar o cenário. Para ele, a recuperação das exportações deve ocorrer a partir da próxima safra, especialmente com o avanço do conilon a partir de maio e do arábica em junho.

Principais destinos do café brasileiro

A Alemanha permaneceu como o principal comprador do café do Brasil no primeiro bimestre de 2026, com 786,6 mil sacas, 14,5% do total, embora o volume tenha caído 20,1% frente ao mesmo período de 2025.

Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 656 mil sacas (-45,8%), seguidos por Itália (568,6 mil sacas, +5,9%), Bélgica (331,7 mil, -6,8%) e Japão (315,8 mil, -34,5%).

Tipos de café exportados

O café arábica manteve a liderança nas exportações, com 4,42 milhões de sacas enviadas entre janeiro e fevereiro, 81,8% do total, mas 28,9% abaixo do volume de 2025.

O café solúvel respondeu por 10,6% das exportações, com 573,3 mil sacas (-11,5%), enquanto os cafés canéforas (conilon + robusta) somaram 408,4 mil sacas (-27,7%). E o café torrado ou moído atingiu 5,5 mil sacas (-38,7%).

Exportação de cafés diferenciados

Os cafés diferenciados, de qualidade superior, sustentáveis ou certificados, representaram 19,8% das exportações no primeiro bimestre, com 1,07 milhão de sacas. Uma queda de 40,7% na base anual. A receita cambial totalizou US$ 493,5 milhões, redução de 31,2%.

A Alemanha foi novamente o principal destino desse segmento, com 137,7 mil sacas (12,9%). Seguida por EUA (132,1 mil), Bélgica (130,5 mil), Itália (124,2 mil) e Holanda (86,3 mil).

Principais portos exportadores

O Porto de Santos concentrou 77,9% dos embarques brasileiros de café no primeiro bimestre, com 4,22 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 18,2%, com 983,9 mil sacas, enquanto Paranaguá (PR) somou 66,9 mil sacas (1,2%).

O relatório completo do Cecafé, com os dados atualizados de fevereiro de 2026, pode ser consultado em www.cecafe.com.br.


FONTE:   AGRO EM CAMPO

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