PRIORIDADE

A relação com os Estados Unidos aparece como principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, segundo a Pesquisa Amcham 2026. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (30) durante evento na B3, ouviu 732 líderes empresariais de diferentes setores e traçou um panorama das expectativas do setor produtivo para o novo ciclo político e econômico do país.

O estudo registra a visão do empresariado sobre as eleições de 2026, as condições do ambiente de negócios e as pautas estratégicas que devem guiar o governo a partir de 2027, com destaque para comércio exterior e atração de investimentos.

Cautela eleitoral e foco na economia

Internamente, os empresários priorizam equilíbrio fiscal (83%), combate à corrupção (43%) e segurança pública (40%), além da redução das taxas de juros (37%). A percepção sobre o cenário eleitoral é de cautela: 39% consideram o quadro neutro, 31% mostram pessimismo e 16% estão otimistas em relação ao pleito. Apenas 2% se declaram muito otimistas, enquanto 9% se dizem muito pessimistas.

Segundo a Amcham Brasil, esses números refletem a preocupação com a governabilidade e a expectativa por uma condução consistente da agenda econômica.

Relação Brasil–EUA ganha força na pauta externa

A parceria com os Estados Unidos ocupa o centro das prioridades empresariais para a política externa. Entre os temas mais citados estão a relação bilateral (53%), a atração de investimentos estrangeiros (46%), novos acordos de comércio (44%) e o acesso a mercados externos (35%).

“O empresariado vincula cada vez mais a política externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos envolve a maior economia do mundo, nossa principal fonte de investimento e um parceiro estratégico em áreas como tecnologia, energia e serviços”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apesar do potencial, 44% dos empresários ainda percebem desafios na relação comercial com os EUA, enquanto 38% avaliam de forma neutra e apenas 14% veem o ambiente como favorável.

Tarifas seguem como principal obstáculo comercial

As tarifas continuam sendo o maior entrave para ampliar os negócios entre os dois países, citadas por 70% dos participantes. Outras barreiras incluem a volatilidade cambial (33%) e restrições não-tarifárias (29%). Questões internas, como escala de produção (25%), concorrência local (22%) e desconhecimento do mercado americano (20%), também afetam a competitividade brasileira.

Segundo a pesquisa, o setor privado quer ver avançar negociações voltadas para:

  • Redução de barreiras comerciais (58%)
  • Diminuição de tarifas e ampliação de acesso a mercados (55%)
  • Parcerias contra o crime organizado transnacional (42%)
  • Cooperação em investimentos (42%)
  • Acordos sobre minerais críticos e terras raras (36%)
  • Evitar bitributação (35%)

“Há uma agenda sólida desenhada pelo empresariado. O desafio será transformar essas pautas em resultados concretos, especialmente em um ano eleitoral e num contexto de disputa de atenção no governo americano”, observa Abrão Neto.

O levantamento aponta otimismo moderado quanto ao desempenho empresarial em 2026. 84% das empresas esperam aumento de faturamento, sendo que quase metade prevê crescimento superior a 11%. Apenas 3% preveem queda nas receitas.

Os líderes empresariais acreditam que o crescimento deve vir de expansão das vendas no mercado interno (65%), redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e investimentos em digitalização e inteligência artificial (38%).

Para o período 2027–2030, 35% das companhias esperam melhora no ambiente de negócios, 26% projetam estabilidade e 25% receiam piora. “O setor privado segue comprometido com o crescimento do país, desde que haja previsibilidade fiscal, estabilidade regulatória e integração internacional”, reforçou Abrão Neto.


FONTE:   AGRO  EM CAMPO

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